O que são caboclos, pretos-velhos, oferendas, etc, sob a ótica espírita?



    Todas essas denominações são parte de algumas filosofias espiritualistas tais como Umbanda, Candomblé, Quimbanda, etc, não da filosofia espírita. O Espiritismo nos diz que os Espíritos só são divididos segundo o seu nível evolutivo - intelectual e moral - e por isso se distinguem. A cor, a raça, a profissão, o sexo, a cor do cabelo, o nome, a brancura dos dentes, a lisura da pele, nada disso faz com que um Espírito seja diferente do outro na óptica espírita. Por isso o Espiritismo, embora reconheça, cientificamente, as diferenças e particularidades raciais em termos de cultura, de lutas coletivas históricas, etc, mostra-nos que cada Espírito é uma individualidade, assexuada, sem cor, sem raça, que só se distingue dos outros por sua elevação espiritual, por nada mais. O Espiritismo respeita profundamente aqueles que, por qualquer motivo, pensem diferentemente, mas não assume para si, pelas questões acima, essa diferenciação. 

    Podemos recomendar um livro excepcional sobre o assunto. Chama-se "Loucura e Obsessão", do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, psicografia do médium Divaldo Pereira Franco, editora FEB. Nesse livro achará explicações preciosíssimas sobre a visão de um Espírito do quilate de Manoel Philomeno e Dr. Bezerra de Menezes sobre os trabalhos executados numa casa de caridade afro-brasileira. É belíssimo. 

    Vemos que nenhum carácter físico indica qualquer diferenciação no plano espiritual em termos de evolução. O que quer dizer isso? Há Espíritos de grande evolução que se mostram como homens, mulheres; loiros, morenos, amarelos, negros, mulatos, mamelucos, etc. 

    Há grupamentos espiritualistas que, por governar neles o alcoolismo, a falta de estudos, a falta de trabalho no bem, etc, logicamente os Espíritos que se apresentam serão simpáticos a eles, ou seja, Espíritos inferiores. Se apresentarão de acordo com suas crenças - Ogum, Iemanjá, Pai Preto, Vovó, Criança, etc - mas serão Espíritos tão ignorantes quanto o grupo chamou pela sua falta de disciplina. 

    Por outro lado - e sobre esses o livro que indicamos fala - há grupamentos espiritualistas em que as entidades espirituais, apresentando-se sob os mesmos nomes - para não lhes chocar a crença ou mesmo por compartilharem dela - apresentam comunicações úteis, boas e de rara beleza e sabedoria. Por vezes falam de forma simples, com o linguajar típico, mas seu conteúdo é puro, voltado ao bem. 

    Analisemos agora o factor das oferendas materiais. Da mesma forma temos, em suma, dois grupos de Espíritos que pedem tais oferendas - porque há grupamentos afro-brasileiros que não mais trabalham com oferendas materiais. Vamos analisá-los separadamente, novamente, só que agora de ordem inversa. 

    Para ilustrar nossas colocações vamos contar a história de um espírita
que, quando moço, no romper de sua mediunidade, foi levado a um terreiro de
Umbanda e foi se consultar com um preto-velho: "Quando cheguei à casa, estava o médium incorporado sentado e uma fila de pessoas para conversar com a entidade. Essa entidade falava de uma forma bem típica dos escravos, dava estalos como passes, recomendava que se acendesse uma vela para fazer uma oração. Quando chegou a minha vez a voz dela transmutou e me disse: 'Meu amigo, não preciso falar do jeito que eu falo, fui um homem muito culto, muito instruído, mas durante o período da escravidão estive aprendendo o amor, que para mim foi a lição mais preciosa. Seu lugar, meu amigo, não é aqui. Você precisa procurar uma Casa Espírita, tem um trabalho a fazer. E quanto à sua pergunta, não, não é necessário que aquela senhora acenda uma vela. Poderia ser um pedaço de papel ou nada, mas se eu disse a ela: Ora, ela não vai orar. Se eu disser: Acende uma vela e ora, ela vai orar, e a vela será somente um dinheiro gasto por uma boa causa. Agora, meu filho, vai em paz'. Saí do local sem dizer uma palavra e graças a essa entidade, que até hoje me visita, pude estar com vocês hoje." 

    Essa é uma pequena história verídica que ilustra o porquê alguns Espíritos Superiores, trabalhadores de alguns grupamentos sérios, indicam certos acompanhamentos materiais para as pessoas - que não estariam preparadas ainda para desvincular-se mentalmente dos objetos. O que temos visto é que - e isso é dito no livro indicado - após algum tempo é dito à pessoa que o que ela faz é desnecessário, recomendada a leitura da obra de Kardec para desvincular o pensamento já preparado de tais idéias materiais. 


    Vamos ao outro lado, que se subdivide em dois. 

    No caso de um Espírito que realmente acredita na oferenda material. Não podemos deixar de citar que toda matéria tem emanações fluídicas grosseiras que podem ser utilizados pelos Espíritos. Tais fluidos são completamente captáveis na natureza de maneira natural automática pelo pensamento dos Espíritos Superiores que coadunam esse fluidos para se juntarem a outros em processos de intervenção física, não necessitando para isso que seja feita qualquer tipo de oferenda. Mas Espíritos ainda imperfeitos utilizam-se de tais fluidos, porque não sabem manipular outros, para uma intervenção física na matéria. Logicamente essa intervenção acontece seguindo a Lei de Deus, que contém a Lei de Afinidade Fluídica. 

    Mais uma vez aqui vemos Espíritos bem e mal intencionados. Os bem intencionados utilizam-se de tais fluidos - e recomendam tais atitudes - porque realmente sua compreensão não lhes permite alçar o âmbito do pensamento, mantendo-se vinculados à esfera física. Utilizam-nos para o bem segundo o seu entendimento. 

    Os mal intencionados utilizam os fluidos para o mal. De tudo isso, o que podemos concluir? 
    1) Nenhuma evidência física pode caracterizar a elevação espiritual de um Espírito 
    2) Um pedido de oferenda material pode esconder por trás uma série de intenções e uma série de circunstâncias 
    3) O Espiritismo mostra-nos que tais manipulações, na óptica do Espírito, são completamente desnecessárias, mas respeita aqueles que pensem diferentemente.




Fonte: Fórum Espírita.